Produtores Culturais

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Congelando um segundo do todo vivido
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Indagações têm seus porquês

Vejo na rua gente por todos os lados, lugares conhecidos, pessoas queridas, mas quando chego em casa a solidão se torna minha companheira, como se fosse a melhor amiga que sempre está presente em diversos momentos.
Não sei se é normal tantas incertezas, medos, pensamentos tortuosos sobre mim e sobre o mundo. Não sei ao certo para onde ir, o que fazer e como fazer, diria até que falo indiretamente sobre os princípios básicos para se construir uma ação de marketing, em que se deve primeiramente saber as estratégias (o que fazer) e táticas (como fazer) de comunicação e mídia para se atingir o público alvo (target). Nesse caso particular não sei onde vou chegar se não sei para onde quero ir.
Nesse instante queria muito ter aquele amparo amigo, aquele homem maravilhoso (ele sabe que é dele que falo) para acariciar meus cabelos, fazer amor gostoso e dizer o quão sou especial em sua vida. Acho que tô um tanto carente, mas essa carência parece infinita, desde quando nasci, coisa que homem, amigo nenhum é capaz de curar. Por que sou tão esquisita???
Sinto falta do palco, de vê gente olhando nos meus olhos, atenta aos meus movimentos, apta a receber o que tenho a oferecer. E eu, disposta a sentir toda energia dessa gente, sensível a mais uma experiência que se recicla a cada dia, sabendo que essa labuta excita e gera tamanha emoção, que só quem é artista sabe como é. Mas será que sou artista?
Dizem que, para suprir a carência sentida, é preciso fazer a caridade. Você dá sem nada querer em troca e recebe consequentemente o dobro daquilo que ofertou. Mas para quem fazer a caridade numa hora dessas?
Deus... cadê tu Pai Divino? Encarnamos para sentir o vazio ou só eu que faço por onde sentir? Sim, faço por onde sentir porque sou responsável pela maioria das escolhas que trilho. Porém, onde acaba meu livre-arbítrio e começa a ação do destino? Ou será que absolutamente tudo que vejo, sinto, faço são atraídos por meus pensamentos, sejam eles conscientes ou inconscientes?
Bobo é aquele que pensa encontrar sua felicidade na vida do outro. Meu Deus, tantos casamentos apressados, tantas válvulas de escape, tantas escolhas inadequadas por causa do aperto da solidão... Morreremos infelizes ou existe felicidade terrena? Ou será que a vida consiste em batalhas constante de incertezas e tristeza, em que os intervalos são momentos gloriosos de alegria, sentimento parecido, porém inferior, a tal felicidade eterna que a Bíblia fala? Ou, momentos jubilosos de alegria - retalho da infinita colcha de felicidade eterna - cujos intervalos são hesitações e tristezas, para que saibamos a importância do sol e das tempestades?
E o que é felicidade? É ser realizado profissionalmente, possuir todos os bens materiais desejados e uma família harmoniosa? Felicidade é se doar ao mundo em prol da caridade universal? É seguir sua vocação? É peregrinar pelas cantos mais lindos do planeta terra? O que é felicidade mesmo? Ela existe? Nascemos para procriar ou temos o direito de viver sozinho, contrariando as regras sociais? E contrariando a sociedade não é uma forma de chamarmos sua atenção porque queremos um pouquinho de atenção e afeto?
Se falam de mim não gosto; se me esquecem fico triste. Por que esse anseio de ser lembrada? Por que o medo da indiferença? Por que a necessidade de ser útil? É por isso que dizem que o trabalho dignifica o homem? Tenho que seguir o que dizem por aí ou isso é algo que nasci sentindo, esse desejo de ser gente de bem, com mãos e braços prontos para servir?
Por onde começar a faxina interior? Como ordenar esse emaralhado "confisco" mental?
Um dia meu ginecologista disse que a finalidade do homem é procriar, argumentando que tudo o que fazemos é em busca de ter um parceiro para tal finalidade. Festas, roupas novas, conquistas materias, tudo!, gira em torno da conquista do homem/mulher ideal - ideal só na nossa imaginação. E quando optamos pela solteirisse, chega uma certa idade em que vem o sentimento de ter faltado alguma coisa para ser feito... Mas se isso tiver seu pingo de verdade, porque mesmo casando as pessoas se sentem sozinhas?
Nossos antepassados deram o pontapé inicial rumo à independência, às conquistas cada vez mais
frenéticas de deter o poder na palma da mão e fazer o que se quer e bem entende. Alimentamos a cada hora essa"caça a independência" e não nos atentamos o quão estamos nos perdendo uns dos outros. Para que existe blog, orkut e tantos outros sites de relacionamento? É porque a tecnologia é tão bárbara e possibilita fazermos diversas coisas simultaneamente? Ou você não percebe que é uma forma de te recompensar a ausência dos amigos, o costume que nos foi tirado de ficar na rua sentando na calçada jogando conversa fora com os coleguinhas próximos? "Ah Amanda, mas graça a Internet você pode falar com a pessoa amada que reside longe de você". Sim, concordo, tens razão, mas se os tempos e hábitos fossem outros, eu não precisaria está no Acre longe da pessoa querida, pois só me envolveria com alguém que quisesse compromisso sério. Ou então, ficaria ansiosa e na expectativa por receber afáveis cartinhas de amor, escritas à mão, e leria contemplando o por-do-sol, com lágrimas nos olhos, cheia de saudade e esperança do bem querer voltar para os meus braços, pois eu seria a mulher de sua vida. Ah meu, isso é mais utopia que querer banir a miséria do mundo. Falar em príncipe encantado é tão surreal quanto dizer que me conheço literalmente... Não não, nada de papos bizarros. Por que estou falando nisso mesmo, em?
Expectativa...essa palavra deve ser abolida do nosso vocabulário. Quem muito espera do outro, muito se frustra, magoa-se, vive melancólico, recheado de decepções. Um dos meus maiores erros é justamente isso: criar expectativas! Por isso luto pela mudança, coisa que já vem acontecendo no atual relacionamento. Quando esperamos de menos, os bônus nos felicita, preenche, surpreende. Quando esperamos demais, nada supera, pois nossa mente é tão, mais tão criativa que ser humano algum consegue sucumbir a necessidade do outrem. Por que tanta imperfeição "Jusé"?
E quando tu tens vontade de dá um salto no amanhã só para saber se o que tu fazes hoje te conduzirá ao ponto visionado? Por que pressa em degustar tudo de uma só vez, gula insaciável que atropela os segundos do agora? ... " Se eu estivesse a certeza que a gente vai ficar junto, seria mais fácil a caminhada do presente"... Ainda bem que não é só eu que vivo cheia de neuroses. De certa forma isso me conforta, ainda mais sabendo que o mundo está cheio de gente maluca, com suas teorias e pensamentos malucos, todos em busca da mesma coisa que para cada um é espelhado em coisas ou pessoas semelhantes e distintas. É como digo, por trás do detista foda, da promotora ricona, do médico conceituado existem pessoas frágeis, sonhadoras, temerosas a escuridão do labirinto, que em suas palestras, livros e falatórios em público ressaltam a busca ou a importância de correr atrás da tal felicidade. E o mais engraçado, sorriem para a sociedade, vestem seus escudos, usam suas máscaras antisentimento e, ao chegar em casa, choram baixinho no silêncio sepulcral da madrugada, amendrontados pelos próprios sentimentos antagonizadores - não sei se é um neologismo - que apontam a solidão, a falta de algo que ainda não foi identificado. É como querer muito comer pão com manteiga e, ao por na boca, perde a fome porque na verdade queria saborear uma deliciosa sopinha que sua mãe fazia quando criança. Você entende onde quero chegar?
E quando você diz para si que vai ser isso, aquilo, e aquilo outro quando conquistar tal coisa? Aí você conquista com muito esforço essa coisa e não vê aquilo que imaginou acontecendo no hoje, sendo que antes tudo isso era um anseio do agora, concretizado num futuro distante...Ou seja, vem o desespero, a angústia, as indagações sobre o caminho trilhado, inúmeros questionamentos que te levam a refletir se você deu o melhor de si até agora , fez o que era mais correto, o mais viável aos teus sonhos ou se fracassou no meio do trajeto, tomando um rumo diferente do teu querer sincero?! Até quando adiar para amanhã o que posso fazer hoje? Por que acreditar na existência do futuro, se nem presente existe? O que mede o presente? São as 24h do dia? E as palavras, até quando valem? Um "eu te amo" recebido ontem tem prazo para crenças nessas 24h de hoje? Juras de amor, olhares compenetrantes, ínfimas carícias que surgem como flash na memória não passam de tolices recordadas? Em que acreditar, se gestos são apenas gestos, tão mutante quanto borboletas? Tudo não passa de coisa criada na mente, fruto da minha e tua imaginação?
"Ninguém é de Ninguém". Quando li esse livro, só faltei morrer, pois caí na real que não é um anel de noivado que mede o amor entre duas pessoas. Será que minha sina é viver sozinha, sentindo falta desse algo?

Boa noite!






quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ventania do suspiro

Engraçado como a gente atrai aquilo que pensa. Se cultivamos bons pensamentos, coisas boas nos esperam no amanhã. Se nos negativamos, achando que não somos capazes de concretizar nossos sonhos, certamente não damos tantos passos significativos ao longo da vida. Primeiramente é preciso imaginar, ter fé e por em ação nossos queres.
Senti imensa alegria em saber sobre a autorealização de uma pessoa querida. Largar tudo - família, amigos, emprego, cidade, costumes, vida cotidiana - para viver um sonho é a atitude mais brava que um ser livre pode ter. Vê seu nome escrito na história e usufruir das oportunidades únicas que nos levam ao estado de glória é consequência de quem acredita nessa chama interna, a tal vocação que os padres falam. Não há casa, carro do ano, dinheiro do mundo que substituam o êxtase de fazer aquilo que se ama, pondo a emoção, o sentimento, sua alma para degustar do gozo. É nessa hora que tudo faz sentido e que sofrimento, falta de grana e os "cambaus" nem chegam perto da felicidade sublime, sentida em frações de segundos, como um delicioso orgasmo.
Sou feliz por conhecer tantas e tantas figuras, estrelas, sóis que me inspiram, fazem-me sentir gigante, responsável pelo enredo que escrevo a cada gota de orvalho. Sou feliz em olhar para dentro do meu ser e vê a imensidão dos meus desejos e sonhos, mesmo não sabendo ainda e exatamente o que vou fazer a partir de agora. Mais uma coisa já sei: primo pela liberdade de voar como um passarinho, rumo a arte, a comunicação, a excitação de subir ao palco e me entregar ao mágico espetáculo, seja musical, de dança, ou sei lá o que. Importante mesmo é saber escutar a voz suave dentro de si, essa musiquinha que te acompanha e revela em sua letra o melhor caminho que se deve trilhar. Só eu sei onde o sapato aperta. Quiçá o que me faz calo, seja ideal ao meu vizinho. Não posso deixar de sonhar, de acreditar em dias melhores. Isso me transformaria em borboleta morta, num sol escuro, numa árvore sem flores e frutos.
É hora de sentir mais a vida e deixar que o Universo, juntamente com minha intuição, apontem o que é melhor para muar. Desde que eu faça o bem ao próximo, sinta amor próprio e não deixe de acreditar na minha missão, o resto venho a ter daqui há uns dias, um ano, ou daqui há algumas vidas. O barato de tudo é vê que " a vida é uma caixinha de surpresas". Tenho sede de viver! Tenho fome de esperança e calorias de boa vontade. Vendo o sapato apertado. Presenteio meu sorriso e amizade. Oferto minha disposição para conseguir aquilo que busco. Jogo fora as incertezas, dúvidas e medos, âncoras da imobilidade. Absorvo o amor, a inspiração, as boas companhias, negando e repelindo o veneno da inveja, a injúria da frustação, o pessimismo limitador da criatividade. Recuso escutar "você não é capaz", mas faço questão de ouvir "siga em frente, você consegue!". Chorar sempre que a alma clamar; dá gargalhadas nos instantes proprícios. Crer na força do amor, pois ele move montanhas - e como move!
Acho que por agora é só o que tenho a dizer...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Recomeço Diário

Uma vez li que nossa vida diária é igual uma conta bancária, com ressalvas: quando chega a meia noite, todo o saldo do dia é zerado e você tem que construir novos saldos a cada amanhecer.
Ontem estive perdida, tortuosa em pensamentos, sentindo um vazio que corroi o peito, uma dor de alma que dilata o coração e sangra, sem piedade, sem dó, sem consideração com quem se sente. É nessa hora que a vulnerabilidade toma conta de si e põe a perder todo o brilho e esperança de dias ensolarados. Porém, é nesse instante que as palavras de Chico Buarque fazem sentido: "... Mas pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza, é preciso um bocado de tristeza, se não não se faz um samba não". Adaptando a minha situação, é preciso um bocado de tristeza desatina para se expulsar essa agonia acumulada.
Estou aprendendo a quitar raivas, desentendimentos e nostalgias em cada noite de sono. O que ficou para trás ficou. Hoje é dia de nova página em branco, novo lápis e borracha. Dia de estreiar meus lápis de cor, a caixinha de giz de cera, os pinceis das mais variadas cores e tamanhos.
Hoje é dia de milagre atemporal, de reinventar motivos para sorrir e irradiar minha morada interna. Como diz meu querido amigo Guido, "a transformação é de dentro para fora". Mas de nada adianta as palavras sem gestos. É preciso agir e por isso criei esse blog, pois fazia parte das minhas metas do ano começar a escrever, escrever e escrever sem temores, sem autocritica destrutiva.
Quando escrevo sinto o suspiro do alívio. É uma forma de eu me olhar por dentro e saber o que se passa na cabeça. Dizem que a gente fala o que o coração está cheio e por isso eu prefiro expulsar a negatividade através de meditações e peneirar as palavras, a fim de proferi-las em tom suave, agradando o meu e o teu ouvido.
Nada como uma ótima quarta-feira chuvosa, com imprevisto no planejamento traçado para se criar coragem de me reiventar...
Ainda venho a descobrir se existe felicidade enquanto ser encarnado ou se a nossa vida é feita de pequenos e significativos momentos alegres e tristes, e nada mais. Será que alguém ja sentiu o que eu senti ontem? Acho que sim, afinal, antes de qualquer rótulo imposto pela sociedade, somos seres humanos, feitos de carne e osso, cheios de conflitos, sentimentos e sonhos (quando estes não são exterminados por nossas fraquezas e falta de crença em nosso potencial).
Ufa, que gostosa sensação de bem estar. Como é maravilhoso saber que a cada dia tenho a oportunidade de fazer algo que gosto e dá novos rumos aos pensamentos.
Desejo: encontrar-me!
Sonho: Fazer aquilo que amo quando eu descobrir o que realmente amo...
Enfim e sem delongas, é isso!